Mód. 1 – Temas Transversais

Vídeo-Aula 25: Estratégias de Projeto e a Construção de Redes e Vídeo-Aula 26: Estratégias de Projeto e Educação em Valores

             Ao propor um projeto que vise tanto à construção de redes de conhecimento quanto à educação em valores, o papel do professor e dos alunos tem que estar claros em todos os momentos, da elaboração a execução e a avaliação. Para que isso ocorra, a vídeo-aula apresenta passos de um projeto e os responsáveis por cada etapa.

- Escolha do tema: professor

- Aproximação do tema: professor para o aluno

- Escolha da temática: professor e aluno

- Perguntas do projeto: aluno para o professor

- Planejamento/Plano de aula: professor (e, porque não, coordenação)

- Busca de respostas: aluno, com ajuda do professor

 

Mas o mais interessante de um projeto, é que o mesmo está e é suscetível a “falhas”, que devem ser concertadas, além de ser maleável para a incorporação de novos conhecimentos que inicialmente não foram planejados, assim como a incorporação de novos rumos do projeto.

No arquivo Plano de Aula, há um exemplo de um projeto de tema transversal, no qual têm objetivos e procedimentos claros, visando uma compreensão dos alunos sobre a temática ambiental. Gostaria de deixar claro que o tal arquivo foi para elaborado para uma avaliação parcial de quando fazia faculdade, e os nomes da escola e do professor são fictícios.

Acredito que, tal Plano de Aula, demonstra como aplicar o conhecimento em rede e uma educação em valores.

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Vídeo-Aula 22: Questões de gênero no cotidiano escolar

Ao ver o título dessa aula, logo pensei que seria muito polêmica a aula, e que seria abordada uma visão de como são as relações entre os diferentes gêneros dentro da escola. Contudo, mais uma vez, tive uma surpresa, além de repetir conceitos de aulas passadas, sobre temas transversais e pedagogia de projetos, a idéia de trabalhar sobre a igualdade entre gêneros tem que ser apenas por projetos ou como tema transversal.

Quem disse que questões de gênero têm que ser abordado pelos temas transversais ética, diversidade cultural ou orientação sexual? E a geografia ou a história, não podem explicar ou falar sobre esse assunto? E ainda mais, a sociologia e a filosofia também podem falar sobre essa questão!

Os alunos sabem que homens e mulheres são diferentes e com problemas, conseqüências e situações diferentes em relação ao estudo ou ao trabalho. A sociedade ainda estimula essa separação, e a escola acaba reproduzindo o que acontece na sociedade. Essa educação ‘separatista’ de gêneros está impregnada em nossos discursos, e assim, falar da igualdade entre os gêneros é complicado, mas não impossível.

Como professor de geografia, assim que falo sobre relações de trabalho e a globalização e/ou sobre estrutura da população, a questão do trabalho e participação feminina, dinheiro, sociedade paternalista, entre outros, estão presentes em meu discurso, pois, mesmo queimando sutiãs, a mulher ainda é vista como submissa ao homem, e a sociedade, que é formado por adultos da década entre 30 e 70, ainda tem a idéia formada de que o sustento da casa se dá pelo trabalho do homem. E volto a repetir, esse discurso acaba dentro da escola: a divisão de filas entre homens e mulheres – que por sua vez tem sua vantagem, que é de poder ver melhor os alunos, ou a falta de respeito com a professora, pois em casa o aluno vê o pai batendo na mãe que trabalha, mas não tá em casa para educar ou fazer a janta, etc.

Contudo, minha aula não para por ai, pois procuro mostrar aos alunos a realidade e propor uma reflexão crítica/reflexiva do que acontece, mas deixando claro que a situação pode mudar, pois daqui a 20 anos, os adultos são as crianças de hoje, e se fazemos uma educação em que um assunto como a diferença entre gêneros esteja num discurso da aula de geografia, ou história, ou matemática, facilitará na compreensão do aluno, sem precisar fazer um projeto de um tema transversal (exceto quando a escola se propõem a fazer isso).

A minha crítica a essa aula está na teimosia de achar que todas as questões têm que ser trabalhadas dentro de um tema transversal.   Acredito que o professor tem que sair do comodismo e buscar novas maneiras de fazer que sua aula seja mais interessante e que possa abordar temas tão comuns em nossa sociedade, fomentando a formação ético-moral e do senso crítico/reflexivo dos alunos.

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Vídeo-Aula 21: Sentimentos e afetos como tema transversal

Para essa vídeo-aula, inicio descrevendo a linha de raciocínio.

* Valores, Auto-estima (auto-imagem) e Autoconhecimento (sensibilidade para se perceber) estão intimamente ligados ao afeto;

* Como incorporar os sentimentos e afetos no cotidiano escolar? R.: Transformando os sentimentos e afetos em objetos de ensino e aprendizagem, ou seja, a dimensão afetiva em objeto de conhecimento;

- idéia apresentada: Projeto: “O que é o sentimento?”

Pois bem, paro por aqui essa linha de raciocínio, porque chegou o ponto central da aula: Há como explicar o sentimento? Quantifica-se o sentimento? Ou melhor, concretiza-se o sentimento?

A resposta para todas as pergunta é NÃO! E tendo essa resposta toda a proposta dessa vídeo-aula vai ‘por água abaixo’.

É claro que valores, a auto-estima e o autoconhecimento estão ligados ao afeto, pois estando bem consigo o meio na qual estará inserido também estará. Mas, propor que os sentimentos sejam objeto de estudo é impossível, pois como é que se vai estudar o amor, ou o ódio, ou a raiva? Vai dessecar o cérebro para entender?

E outra, na vídeo-aula foi apresentado os resultados da aplicação de um projeto na qual os alunos colocaram que o raiva está nas mãos, e o amor está no coração, ou falar que as mãos representam um sentimento, a cabeça outro. Para uma criança essa concepção está correta, pois ela não consegue assimilar. Mas sugerir isso para uma turma mais avançada que sabe que ódio, amor e raiva são apenas sentidos e não compreendidos, causará conflitos e questionamentos que o professor não saberá responder, entre eles: “O coração é que bombeia o sangue, e o amor se representa pelo coração. Isso que dizer que o sangue também é amor?”, e isso se chocará com a idéia de que a violência se representa pelo olho roxo e ou alguém sangrando. E tem uma situação pior ainda, o professor ensina que o amor está nas mãos, daí o aluno vem e pergunta: “Professor o Juquinha não tem mão, isso quer dizer que ele não ama?”

Nessa concepção, o sentimento ou a manifestação do amor, da raiva, do ódio, da inveja, está em todo o corpo, através de expressões faciais, movimentos das mãos e na ação (fala). Desta forma, não há como se ensinar como se deve amar, ou como se deve odiar, entre outros. Os sentimentos e afetos (que são demonstrados por ações) têm e devem estar no discurso do professor, do aluno e da família.

Sendo assim, concluo promovendo as seguintes reflexões: atualmente, em qual parte do corpo está o ódio? Que parte do corpo representa o afeto? Que parte do corpo representa a inveja? Pode se ensinar da onde vem o amor, e porque que vem? A materialização dos sentimentos faz parte do processo de coisificação, na qual se coloca o imaterial (no caso os sentimentos) no material (no caso partes do corpo). Para você, é possível sentimentos e afetos serem objetos de ensino e aprendizagem?

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Vídeo-Aula 18: Educação Integral

“A educação de amanhã se fará fora da escola […]. A vida, que já é por siso uma grande escola, se transformará em escola da vida desde o berço”

Pierre Weil

Tendo como base essa frase de Weil e as vídeos-aula apresentadas, pode-se afirmar que a educação integral é a educação fora e dentro da escola, pois é uma educação diferenciada, o que levar a ser uma escola diferenciada, ou seja, a formação integral fundamenta-se na concepção de formar as crianças integralmente nas dimensões em que compõem o ser, não só no aspecto cognitivo, mas também no aspecto das relações entre as pessoas e na construção de um senso crítico/reflexivo. Mas, será que a educação integral é uma educação voltada para a educação de valores?

Claro que sim!

Todas as vídeos-aulas se integram e formam os princípios norteadores de uma educação integral, com espaços de relações entre as pessoas, com professores conscientes de seu papel na construção da cidadania no aluno, fomentando uma escola com princípios de uma educação em rede, além de ter, na prática pedagógica do professor e da equipe gestora, os valores éticos e morais importantes para um papel ativo e transformador na sociedade.

Então quer dizer que a educação integral é a escola do século XXI? Ou, a sociedade do século XXI precisa ter uma educação em valores?

Para a primeira pergunta, não é possível afirmar que a educação integral seja a escola do século XXI, mas é um caminho viável para uma educação de qualidade para uma sociedade do século XXI, e desta forma, uma educação em valores e de valor é o que a sociedade precisa para o século XXI. Nessa concepção, a educação integral acaba tendo a seguinte fórmula: Escola de Conteúdo + Escola da Vida + Educação em Valores. Vale salientar, que essa fórmula não é nenhum pozinho de ‘pirlinpinpin’ e nem o caminho da salvação, mas é algo a se pensar!

Aproveito aqui para destacar palavras-chaves da educação integral:

- aprendizado diferenciado;

- aprendizagem significativa;

- crescimento;

- relações interpessoais;

- vínculo com a escola;

- respeito;

- protagonismo;

- identidade da escola;

- significar o conhecimento;

- mudança da prática pedagógica (‘nós’)

Finalizo, indicando o vídeo abaixo para complementar minhas considerações.

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Vídeo-Aula 17: Pedagogia de Projeto

Ao propor a idéia de pedagogia de projeto, tendo como base a vídeo-aula 14, pode se perceber que as noções de participação, interesse e a probabilidade de abrir possibilidades para o desenvolvimento, estão impregnados nesse discurso.

A pedagogia de projeto, muito bem apresentada nessa vídeo-aula, aponta que um bom projeto, ou seja, bem estruturado, fundamentado, justificado e com objetivos claros, promove a interdisciplinaridade e a transversalidade abordando temas que o alunos está inserido na sociedade. A discussão, a investigação e a abordagem de temas cotidianos, que muito se assemelha a prática pedagógica de estudo de problemas, estimulam a formação da idéia de cidadania por parte dos alunos. Mas, antes de se fazer um projeto, uma pergunta tem que ser feita:        Para que queremos formar os alunos?

Para essa resposta recorro a Mário Sérgio Cortella nas seguintes citações: “Quem tem princípios e valores para decidir, avaliar e julgar está submetido ao campo da ética”; “A decisão em um dilema é sempre individual. Mas as suas conseqüências podem afetar muitas outras pessoas.”

Ou seja, a educação de construção de valores tem que propor uma visão ampla sobre determinado assunto, o justificar fugindo do senso comum e estimulando o senso crítico, utilizando as mais variadas ciências e suas áreas (linguagem e códigos, humanas, exatas e biológicas) e suas ferramentas para que haja uma interação com o mundo e, porque não, um entendimento desse mundo, podendo, conseqüentemente, ocorrer à transformação do mesmo.

Sendo assim, formar um aluno dentro de uma pedagogia de projeto, é formar também para a vida.

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Vídeo-Aula 14: Projeto

Ao propor o tema projeto para uma vídeo-aula, inicialmente me assustei, pois me perguntei: essa vídeo-aula vai me ensinar a montar um projeto? Ledo engano! A noção de projeto de como metas/objetivos para um futuro, em que o risco poderá trazer sucesso ou insucesso (apesar do Prof. Nilson discordar) e de que o projeto é uma ação e da manifestação da vontade, me deixou satisfeito, pois percebi que um projeto é algo a mais do que palavras. Projeção é ação, reflexão, avaliação e ação, dentro de objetivos pessoais e grupais, pois quem projeta realiza, e dentro da escola, a idéia de projeto tem que impregnada na construção de valores, que se inicia em sonhos, ilusões, utopias e esperanças, que se realizam através de projetos buscando um fim desejável.

Contudo, acho pouco esse parágrafo da minha compreensão da aula, e por isso colocarei trechos do livro Pedagogia Empreendedora de Fernando Dolabela que tem haver com isso. Acho que essa será minha maior contribuição para essa aula.

           “(…) Qualquer pessoa, em qualquer condição, tem a capacidade de formular sonhos, porque esse é um atributo da natureza humana. (…)

Se o sonho é individual na sua concepção, é coletivo na sua finalidade, uma vez que deve necessariamente oferecer (e não subtrair) valor para a comunidade. Mesmo sendo individual na concepção, sonho é fortemente influenciado pelos etos da comunidade a que pertence o sonhador. Além do mais, na sua realização, o sonho é também coletivo, porque fruto da cooperação de vários atores, recursos, elementos. (…)

Sendo a sociedade a fonte de geração de sonhos individuais, ela traz em si a capacidade de formular e procurar realizar seus próprios desejos, de configurar aspirações quanto ao seu futuro melhor. (…)

             Sendo assim, emoção e sonho são resultado e ação, ou seja, o sonho para se tornar realidade, necessita se tornar emoção, que é concreto, para que só assim possa acontecer a auto-realização das vontades. A construção do futuro baseia-se na projeção do sonho na realidade e na sociedade. Em outro trecho do livro de Dolabela, ele menciona a concepção de sonho segundo Paulo Freire, na qual compartilho com vocês.

 “(…) para mim, é impossível existir sem sonho. A questão que se coloca é, em primeiro lugar, saber se o sonho é historicamente viável. Segundo, se a viabilidades do sonho demanda um pedaço de tempo e de espaço a caminhar. Terceiro, se demanda espaço ainda longo para caminhar e viabilizar, é o caso de se aprender como caminha e, em caminhando, reaprende inclusive a realizar o sonho, que dizer, buscar os caminhos do sonho.”

            Termino com essa bela frase:

 “Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, (…) todo o universo conspira a seu favor!”

W. Goethe

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Vídeo-Aula 13: Conhecimento em rede

             Como se dá a relação entre aluno, professor e conhecimento?

            Historicamente, o professor ainda é visto como o único detentor do conhecimento e da informação, e assim, o mesmo, por vezes apenas joga a informação na cabeça do aluno que, geralmente, não gera o conhecimento, ou seja, não há interação entre as partes na construção do saber dentro da escola.

Contudo, o conhecimento e a informação estão presentes em todas as esferas da sociedade, e desta forma, o conhecimento e a informação estão nas mãos dos professores e dos alunos, estipulando uma relação de interação e troca. Com base nessa concepção, a vídeo-aula apresente 3 formas da relação aluno-conhecimento-aluno, que são:

  • Balde – na qual o professor despeja o conhecimento, e o aluno é visto como um recipiente que, mais pra frente, será medido o quanto está cheio e vazio;
  • Encadeamento/corrente – o conhecimento tem um único início, que por muitas das vezes começa no professor, e um assunto vai puxando o outro de forma em que se há uma falha, todo o resto estará comprometido;
  • Redes – não há uma única origem do conhecimento, os nós são interconectados e o conhecimento é multirelacionado, na qual, se há uma falha de um lado, existe outro lado que pode ajudar a ter o conhecimento.

A visão de encadeamento, na qual pedaços simples explicam o todo, não pode ser esquecido, mas é melhorado pela construção de conhecimento em rede, ou seja, o encadear o conhecimento é fundamental, mas ter centros de interesses e construir elos de conexão entre esses centros melhora na construção/formação do ser humano.

O conhecimento em rede, então, envolve interesse, atualidades, diversidade, adequação, liberdade, significado, conectividade e transversalidade. Assim, a escola tem que promover a qualidade das relações entre os pontos de conexão, e que se uma escola desenvolve uma educação baseada no conhecimento em rede, além de melhorar a relação entre as partes, desenvolve uma escola aberta e inserida na sociedade (assunto já tratado em várias vídeo-aulas)

Mas, apesar de toda essa visão bonita do que seria um conhecimento em rede, eu pergunto: a educação de hoje não acaba sendo baldista??

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Vídeo-Aula 10: Interdisciplinaridade e Transversalidade na Educação

A grande discussão dessa Vídeo-Aula já abordadas em outras aulas, é a aplicabilidade da interdisciplinaridade e da transversalidade dentro da educação. A idéia de “ler e compreender o mundo” apresentada pelo professor Nilson Machado é ideal para a construção de um conhecimento amplo, isso somado a interdisciplinaridade (relações mais fortes entre as disciplinas) e transversalidade (a busca de temas que atravessam todas as disciplinas, diminuindo a fragmentação disciplinar)

Contudo, no exemplo apresentado no vídeo, me faz questionar: Quem deve começar a interdisciplinaridade?

No caso, uma universidade preparou os professores para trabalhar uma realidade local, e assim facilitou a inter-relação entre as disciplinas. Mas nem todas as escolas têm essa realidade, e como que se promove uma leitura de mundo? A resposta é: continua lendo texto e fazendo uma leitura meio imaginativa.

A reformulação da educação, tão abordada nas vídeos-aulas, com tanta poupa e circunstância, não valerá nada se toda uma estrutura social mudar. E, mais uma vez, insisto na idéia de que é possível usar a transversalidade dentro de conteúdos fragmentados, pois é obrigação do professor fazer essa educação, nas palavras de Marx: “Qualquer reforma do ensino e da educação começa com a reforma dos educadores.”

É claro que um estudo de caso para ensinar determinado assunto é essencial, pois caso contrário a educação utilizará o princípio da metodologia científica de Descartes, na qual pode ser compreendida na figura a abaixo.

Assim, o método científico é a lógica aplica à ciência, ou seja, não existe o ‘talvez’, só o ‘sim’ e o ‘não’. Mas, hoje, a educação segue as idéias de Edgar Morin, que são contrárias as de Descartes. Pra Morin, interligar as disciplinas, através da complexidade, faz com que os alunos aprendam o Nilson Machado diz: “ler e compreender o mundo”.

Para Morin,

 “À primeira vista, a complexidade (complexus: o que é tecido em conjunto) é um tecido de constituintes heterogêneos inseparavelmente associados: coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Na segunda abordagem, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem o nosso mundo fenomenal. Mas então a complexidade apresenta-se com os traços inquietantes da confusão, do inextricável, da desordem no caos, da ambigüidade, da incerteza… Daí a necessidade, para o conhecimento, de pôr ordem nos fenômenos ao rejeitar a desordem, de afastar o incerto, isto é, de selecionar os elementos de ordem e de certeza, de retirar a ambigüidade, de clarificar, de distinguir, de hierarquizar… Mas tais operações, necessárias à inteligibilidade, correm o risco de a tornar cega se eliminarem os outros caracteres do complexus; e efetivamente, como o indiquei, elas tornam-nos cegos.”(1)

Desta forma,

 “O pensamento complexo é, pois, essencialmente o pensamento que trata com a incerteza e que é capaz de conceber a organização. É o pensamento capaz de reunir (complexus: aquilo que é tecido conjuntamente), de contextualizar, de globalizar, mas, o mesmo tempo, capaz de reconhecer o singular, o individual, o concreto.” (Edgar Morin)

Ou entre outras palavras, a proposta da complexidade é a abordagem transdisciplinar dos fenômenos, e a mudança de paradigma, abandonando o reducionismo que tem pautado a investigação científica em todos os campos, e dando lugar à criatividade e ao caos. (1)

No primeiro vídeo, um dos professores, menciona que é impossível acabar com as disciplinas, mas é obrigação da educação promover assuntos que transpassam tais disciplinas promovendo um conhecimento completo.

Sendo assim, ler e compreender a complexidade do mundo está nas disciplinas e, principalmente, na inter-relação/interação entre as mesmas, promovendo a criação.

 (1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexidade

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Vídeo-aula 9: Ciência e Educação

A ciência é o esforço para descobrir e aumentar o conhecimento humano de como a realidade funciona. Refere-se tanto a:

  • Investigação racional ou estudo da natureza, direcionado à descoberta da verdade. Tal investigação é normalmente metódica, ou de acordo com o método científico – um processo de avaliar o conhecimento empírico;
  • O corpo organizado de conhecimentos adquiridos por estudos e pesquisas. (1)

             Desta forma, a ciência é como uma linguagem para entender o mundo contemporâneo, permitindo que o currículo escolar seja um percurso formativo. As áreas das ciências (humanas, exatas e lingüísticas), presentes na escola, têm que promover a ligação entre a teoria e a prática, ou seja, as ciências têm que promover o reconhecimento dos conhecimentos das tecnologias na compreensão do mundo complexo.

Sendo assim, o desenvolvimento da análise, do debate, do discutir, da vivencia e do experimentar são mecanismos do desenvolvimento da percepção da complexidade da sociedade, pois “ciência é muito mais uma maneira de pensar do que um corpo de conhecimentos.” (Carl Sagan)

*Para complementar essa visão, alguns vídeos sobre ciência, tecnologia e educação.

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Vídeo-Aula 6: Temas Transversais em Educação

Gostaria de começar esse meu relato sobre essa Vídeo-Aula expondo as concepções apresentadas.

1º Concepção – A escola está organizada ao redor das disciplinas tradicionais, o que faz com que as atividades pontuais (comemoração do Dia da Pátria ou da República), as palestras sobre determinado assunto, os projetos interdisciplinar e/ou o uso de determinada ação/discussão/situação para promover a transversalidade continuem com ensino fragmentado, na qual o eixo norteador são as disciplinas curriculares;

2ª Concepção – A escola está organizada nos temas transversais e os conteúdos tradicionais que transpassa a vértebra norteadora, no caso, os temas transversais. E, assim, os conteúdos tradicionais deixam de ser a finalidade da educação e passam a ser o meio, para se atingir um bem maior.

Assim, o que se prega é uma reorganização/reestruturação da escola e da maneira de ensinar, tendo uma visão mais completa e complexa de um tema, objetivando a ligação entre as disciplinas e dos campos de conhecimento rompendo, portanto, com a fragmentação.

Agora vêm os questionamentos:

  •  Como que se faz a transição da 1ª para a 2ª concepção?
  • Os professores e a equipe gestora estão preparados para a 2ª concepção?
  • Os vestibulares ‘cobram’ o que: temas transversais permeados por conteúdos específicos ou conteúdos específicos permeados por temas transversais?

Fica bem claro, que os conteúdos específicos permeados por temas transversais são o que os vários âmbitos da sociedade pedem. Não se vai numa entrevista de emprego perguntando sobre seu conhecimento sobre ética ou sobre a conservação ambiental. Na entrevista, pergunta-se sobre o seu conhecimento e experiência na área específica e, posteriormente, sobre seu relacionamento inter e intrapessoal dentro e fora do local de trabalho.

A idéia de interligar as disciplinas e os campos de conhecimento é válida. Mas a especificação de cada disciplina e suas tecnologias (bases do Enem) são mais interessantes e eficientes do que trabalhar um tema transversal sendo transpassado pelo conhecimento específico. Unir “Escola de Conhecimento” (escola normal) e a “Escola da Vida” (o que a sociedade e a família ensinam) traz resultados surpreendentes, pois mostra ao aluno a aplicabilidade do conhecimento específico na sociedade, na esquecendo de valores das relações pessoais. Saliento aqui trechos do texto Transversalidade e Interdisciplinaridade:

          “Interdisciplinaridade e transversalidade alimentam-se mutuamente, pois para trabalhar os temas transversais adequadamente não se pode ter uma perspectiva disciplinar rígida. Um modo particularmente eficiente de se elaborar os programas de ensino é fazer dos temas transversais um eixo unificador, em torno do qual organizam-se as disciplinas. Todas se voltam para eles como para um centro, estruturando os seus próprios conteúdos sob o prisma dos temas transversais. (…)

         As disciplinas passam, então, a girar sobre esse eixo. (…)

         Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental prevêem seis Temas Transversais a serem trabalhados durante todo o processo de ensino/aprendizagem: ética, meio ambiente, saúde, trabalho e consumo, orientação sexual e pluralidade cultural. Sejam ou não trabalhados como um eixo unificador, tal como sugerido acima, é importante ressaltar que:

1. Os Temas Transversais não constituem uma disciplina à parte.

2. Devem ser trabalhados de modo coordenado e não como um intruso nas aulas. (…)”

Sendo assim, o discurso de uma disciplina os temas transversais tem e devem estar presentes, mas não ao contrário. Não se pode fazer algo na escola e se cobrar outro na sociedade. A escola foi concebida para ensinar conteúdos específicos para suprir as necessidades da sociedade, mas ao mesmo tempo em que ensina a estrutura geológica, ou genética, ou porcentagem, os temas de preservação, de bioética e de trabalho vão aparecer naturalmente.

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 Vídeo-Aula 5: Conceito de Transversalidade

Quem ensina: escola ou sociedade? Para que serve a escola? Escola e ciência servem a quem?

A escola ensina, a sociedade ensina. A escola serve a todos. Escola e ciência devem estar ao alcance de todos. (bom! Pelos menos é o que se prega na 3ª Revolução Educacional – Vídeo-Aula 1). De todas as perguntas apresentadas a mais difícil é: para que serve a escola? Para os alunos, só serve pra “encher o saco”. Para a sociedade, a escola é a “salvadora da humanidade”. Para alguns professores, a escola/educação é um “cabide de emprego”. Para outros professores, a escola/educação é algo fantástico e magnífico e gostam de trabalhar com isso. Pode-se perceber, portanto, que a escola é varia de classificação: de ‘inferno’ ao ‘céu’. Contudo, a escola tem o mesmo papel da sociedade: educar, porém de maneira ‘científica’ através das diversas áreas do conhecimento, além de formar cidadãos conscientes de seu papel ativo na sociedade. Tais objetivos da escola estão no Projeto Político Pedagógico (PPP), mas, existe uma ausência de ação na formação cidadã do aluno, e essa ausência se dá por ‘n fatores’.

Para a sociedade, ensinar ética, valores e moral estão em segundo plano, e os membros da sociedade, na qual eu e você fazemos parte, acabam jogando toda responsabilidade para a escola. Ou seja, sociedade e escola estão engessadas por moldes de responsabilidade que asseguram a jogada de culpa de um para outro. E assim, para tentar solucionar os problemas da sociedade, mas não fazendo o papel de “salvadora da humanidade”, a escola utiliza de temas transversais para trabalhar temas que a sociedade e a família insistem em não ensinar.

A transversalidade é tudo aquilo que atravessa os diferentes campos do conhecimento, mas com temas atrelados ao eixo ético-político-social, pois vida a melhoria da sociedade.

          “A transversalidade se difere da interdisciplinaridade porque, apesar de ambas rejeitarem a concepção de conhecimento que toma a realidade como um conjunto de dados estáveis, a primeira se refere à dimensão didática e a segunda à abordagem epistemológica dos objetos de conhecimento. Ou seja, se a interdisciplinaridade questiona a visão compartimentada da realidade sobre a qual a escola se constituiu, mas trabalha ainda considerando as disciplinas, a transversalidade diz respeito à compreensão dos diferentes objetos de conhecimento, possibilitando a referência a sistemas construídos na realidade dos alunos.” (1)

Desta forma, não é qualquer tema que pode ser considerado transversal, e assim, os principais temas a serem trabalhados têm que envolver: educação em valores, a busca das respostas para problemas da sociedade, conectar a escola a vida das pessoas e devem estar abertos a novos problemas sociais.

Sendo assim,

         “os temas transversais prestam-se de modo muito especial para levar à prática a concepção de formação integral da pessoa. Considera-se a transversalidade como o modo adequado para o tratamento destes temas. Eles não devem constituir uma disciplina, mas permear toda a prática educativa. Exigem um trabalho sistemático, contínuo, abrangente e integrado no decorrer de toda a educação.” (2)

Fonte:

(1) http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=70

(2) http://4pilares.net/text-cont/garcia-transversalidade-print.htm

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Vídeo-Aula 2: Caminhos da Interdisciplinaridade

Nessa aula, fora apresentado à idéia de Pensamento Simplificador do Edgar Morin, e gostaria de compartilhar essa idéia, mas como uns questionamentos importantes:

a)      Dijunção: separar os diversos tipos de conhecimento (na escola, isso seria as disciplinas curriculares), mas tendo a mesma finalidade: explicar o todo em pequenas partes.

# Será que o conhecimento fragmentado em áreas específicas, como as disciplinas na escola, é mais fácil de ser ensinado e compreendido pelos alunos? Será que a finalidade de explicar o todo através das partes é alcançado dentro da sala de aula? Ou melhor, o aluno entende que as disciplinas se complementam e, desta forma, explicam o todo?

 b)     Redução: do complexo ao simples.

# Existe o risco de simplificar demais e, com a fragmentação do conhecimento, o objetivo de explicar o todo não seja alcançado? A simplificação de determinado conhecimento não pode facilitar demais a compreensão, que trará conseqüências futuras, como por exemplo, a dificuldade de assimilar conhecimentos futuros?

 c)      Abstração: forma de organizar as ciências com a ajuda da tecnologia para facilitar o conhecimento.

# Até que ponto a tecnologia pode facilitar o conhecimento? A tecnologia não atrapalha na assimilação do conhecimento? Qual o impacto dessa abstração nas disciplinas curriculares?

 As idéias de Morin demonstram que o conhecimento em disciplinas (disciplinarização) com ajuda da ciência/tecnologia pode facilitar o processo de ensino-aprendizagem, reduzindo o complexo ao simples, que, de certa forma, facilita a compreensão e a assimilação do conhecimento do aluno. No entanto, a disciplinarização encontra uma grande barreira que já foi mencionada nos questionamentos: o aluno entende que as disciplinas se complementam?

A resposta é NÃO! Para o aluno cada disciplina é única e, muitas das vezes, uma acaba sendo mais importante do que a outra. Mas, para superar a disciplinarização, surgem alguns movimentos, que são: Transdisciplinaridade: ir além da disciplina, temas que ultrapassam a disciplina; Multidisciplinaridade: o uso das várias disciplinas para estudar; Interdisciplinaridade: diálogo entre as disciplinas para entender o mesmo assunto.

Com esses movimentos de superação, nota-se que a multidiscipliridade é uma realidade presente na escrita dos projetos das escolas, pois é um movimento na qual não existe um diálogo entre as disciplinas entre os profissionais, e assim, o ir além da disciplina e propiciar um diálogo entre as mesmas, mesmo com a disciplinarização, é uma das melhores opções para que o processo de ensino-aprendizagem seja completo e eficiente.

Contudo, deixo, mais uma vez, uma ‘pulga atrás da orelha’: Será que a burocracia e o comodismo dos professores não atrapalham o diálogo entre as disciplinas? 

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Vídeo-Aula 1: Revoluções Educacionais

 Para quem é a escola?  Pergunta tão importante quanto saber para que estudar, ou até mesmo, para que serve o conhecimento.

Inicialmente, a educação/escola e, conseqüentemente, o conhecimento, eram destinados a aqueles que detinham o poder sobre determinado povo ou região. O privilégio da educação e do conhecimento era dado aos reis e aristocratas (poder financeiro e político) e/ou aos padres (poder religioso). As sociedades viviam na periferia do conhecimento, da luz ou da razão. O que o rei e a Igreja falavam tinham que ser aceitos, não exigindo compreensão e, desta forma, a ignorância do povo era a arma dos “poderosos” para que “seja feitos a sua vontade”. Tais características fazem parte da 1ª Revolução Educacional que, em vias gerais, como foi apresentado, a educação e o conhecimento eram e faziam parte do poder e dos “poderosos”.

Com o decorrer da história, a “Idade das Trevas”, a “Era da Escuridão” foi sendo ‘clareada’, e assim, o conhecimento foi dissipado a todos, ou seja, a leitura e o conhecimento não eram mais dos “poderosos”, o povo recebe a ‘luz’ do conhecimento, as idéias surgem, a ciência, as artes e, por que não, a própria sociedade evolui. O mundo, que se restringia, tecnicamente, a Europa, ‘nasce’ para as evoluções tecnológicas, que evolui para as revoluções industriais e sociais. Com a consolidação do Estado, um marco na 2ª Revolução Educacional, no século XVIII, a educação passa a ser pública e de responsabilidade do Estado. Contudo, o poder não estava mais na Igreja ou nos aristocratas, mas sim na pessoa do professor.

Na 2ª Revolução Educacional, o professor é a ‘personalidade’ de transmitir e deter o conhecimento, e o aluno um ‘mero’ ser sem conhecimento e sem luz. Como conseqüência dessa relação do detentor do conhecimento e do sem luz, a arquitetura da escola e da sala de aula surge para enaltecer o professor, e assim, o professor aparece à frente da sala em piso um pouco mais alto, mostrando assim que é ele que tem o conhecimento. E eis que pergunto: se o professor está à frente da sala em um piso um pouco mais alto, demonstrando, de certa forma, o poder, será que as características da 1ª Revolução Educacional ainda estão presentes??

Para elucidar a 2ª Revolução Educacional, o link a seguir mostra um clip do “Pink Floyd” que demonstra muito bem tal período da educação e suas características: homogeneização das características dos alunos e o “poder do conhecimento” no professor.

No entanto, como a sociedade evolui e, assim, a educação também evolui. A 3ª Revolução Educacional é marcada pela universalização da educação, e pela disseminação do conhecimento, ou seja, a escola/educação é aberta a todos, existe a inclusão das diferenças (?) e o conhecimento está no professor, no aluno e na sociedade, ou melhor, o conhecimento está no educador, no educando e na sociedade. Mas essa revolução na educação começou a acontecer no Brasil nos últimos 20 anos, o que explica, em parte, o nosso atraso em relação à Europa, que teve início nas décadas de 1920/1930. O arquivo Sala de aula demonstra um pouco os aspectos da sala de aula e do professor dentro da 3ª Revolução Educacional.

Para finalizar, deixo minha contribuição para uma possível 4ª Revolução Educacional, e tal contribuição está no arquivo A escola do séc. XXI.

6 respostas para Mód. 1 – Temas Transversais

  1. Meily disse:

    Você tem o senso crítico apurado, Lucas! Educar hoje é um desafio e é muito bom saber que há educadores como você no mundo! Bons estudos… Divulgue os seus pensamentos para o mundo! Um abraço! Meily =)

  2. Tudo é possível… Afinal, “O IMPOSSÍVEL É APENAS UMA OPINIÃO!!!” (Mário Sérgio Cortella). Pense nisso, Lucas… Muitos olhares críticos por aqui. Boa semana! =)

  3. Mesmo “quase” não gostando de Edgar Morin parece que o vídeo sobre interdisciplinaridade foi aprovado, hein? Rsss… Religar os conhecimentos e tê-los como referência é permitido. Afinal, na vida é importante ter, sem ser possuído pelo que se tem. Abraço e sorriso… =)

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